Você já correu de olhos fechados?

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Semana passada fechei os olhos enquanto corria. Foi uma das sensações mais estranhas e empolgantes que senti.

Correr de olhos fechados é ouvir o barulho das folhas secas no chão com muito mais intensidade quando se pisa nelas, é se concentrar mais ainda na própria respiração, sentir o cheiro da grama ainda molhada da chuva e sentir ainda mais o impacto dos pés no chão.

Percebi os outros sentidos mais aguçados. Mesmo com medo de tropeçar é continuar. É um teste de confiança em si mesmo, é descobrir até que ponto vai a comunicação do corpo, é imaginar o próprio caminho estendido à sua frente tentando memorizar os detalhes e os obstáculos a desviar se eles existirem.

De vez em quando a gente abre o olho, só para ter certeza quando a memória falhar.

Correr de olhos fechados é se sentir mais presente e ao mesmo tempo não saber onde se está.   

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Corri 2 km pela primeira vez

Primeiramente eu confesso que achei que seria mais fácil. Um pouco menos dolorido talvez, mas não!

Não sei se já contei aqui, mas quem me conhece sabe que eu caminhava com minha mãe quando tinha 10/11 anos (tinha até a panturrilha durinha) a mesma distância que resolvi correr esses dias.

Era uma quarta-feira, 16:40 quando saí de casa e o restinho de sol me cozinhava tipo brócolis ao vapor. Comecei caminhando mantendo um ritmo OK para começar a sentir os músculos da minha perna esquentarem e ver se acelerava os passos aos poucos. Subi a ladeira de casa e a ladeira da rua de cima que dá para a avenida principal caminhando.

Cheguei no ponto em que queria chegar e comecei a ensaiar um ritmo de respiração enquanto acelerava o passo da caminhada. Mentalizei exatamente o ponto em que começaria a correr, “quando passar a linha do chão do posto de gasolina” e coloquei na cabeça que me esforçaria para não parar até chegar onde queria.

A tal linha se aproximava e eu balançava a cabeça positivamente tentando não pensar no esforço que faria até lá por ser a primeira vez que corria pra valer. “Agora vai, agora vai”. E fui! 

Comecei a correr um pouco mais rápido do que aguentaria manter. No começo é bem normal isso acontecer, né? Parece que as pilhas vão enfraquecendo, vai entender.

Ao longo dessa corrida, sentia as pernas doerem e meu rosto ficar vermelho. O terreno da calçada até lá não é tão plano, ou seja, em alguns momentos, me deparei com as ruas inclinadas que davam acesso àquela avenida. No final das contas eu pisei como se estivesse torcendo o tornozelo e isso não me causou um bom resultado depois.

Nessa primeira vez não cheguei a marcar o tempo. Sabia quantos km tinha só por ter colocado o ponto de partida e o de chegada no google maps, mas pela minha noção de tempo deu uns 10 minutos de corrida direta.

Acho que por conta da parte da caminha deu até um pouquinho menos do que 2 km, mas dentro do parque/destino final, consegui correr um pouco mais, mesmo com o chão de paralelepípedo. Na volta para casa também rolou um mini revezamento entre caminhar e correr.

Nesse dia, suei como se não houvesse amanhã, ainda mais quando cheguei em casa e parei de fato. Sentia meu corpo queimar por dentro e transbordava pra fora. Acho que pouca gente sabe mas tenho alergia ao meu próprio suor, só que nesse dia eu consegui ignorar completamente esse fato e só sabia deixar escorrer e sorri pela pequena conquista.

No dia seguinte, tive aula cedo e só eu sei a luta que foi sair da cama por conta da dor. Aliás, quinta e sexta foram dois dias complicados de se viver hahaha. Sentia o tornozelo me castigando e as coxas queimavam a cada passo. Não tomei nenhum tipo de remédio, nem usei spray ou coisas do tipo. Deixei doer como era normal doer.

No sábado acordei melhor, porém ainda sentia as coxas. Ao longo do dia a dor sumiu, mas somente no domingo me senti pronta para repetir a dose.

Acordei 7:30 com MUITA preguiça. O despertador me acordou às 7:00 e fiquei enrolando na cama pensando em como ninguém poderia correr por mim e se eu quisesse melhorar o rendimento eu teria que fazer de novo e de novo e de novo.

Levantei, me troquei e o dia estava bem mais cinza e frio do que na quarta-feira. Comi 1/2 banda de mamão e fui. No mesmo esquema “passou a linha do posto eu corro”. Corri dessa vez com um pouco mais de peso no corpo, mas mesmo assim não parei até a entrada do parque. Ah, esqueci de dizer que senti MUITA dificuldade para respirar depois, mesmo que tivesse mantido a respiração OK (bem OK meeeesmo) durante a corrida. Tive até que sentar para continuar caminhando no parque. Trabalharemos nisso. 

Antes de correr no domingo, lembrei que tinha um cronômetro em casa e levei. Marquei 8 minutos e alguns segundos correndo até lá. Dentro do parque revezei o famoso 2 por 1 (dois minutos de caminhada e 1 de corrida), mas na volta decidi ficar só na caminhada.

O after foi MUUUUITO melhor do que quinta e sexta. Não senti o corpo pesar, nem queimar e nem me castigar. Voltei para casa por volta das 8/9:00 e dormi um pouquinho mais depois de tomar um café. 

Agora eu entendi que movimentar o corpo é um desafio, mas que também é uma delícia. Eu mentalizo o “longo prazo” que talvez não faça sentido agora pensando que o começo sempre pega um pouco mais, mas que devagarzinho vai tudo ficando mais leve de concluir. Eu sou muito ansiosa e às vezes percebi que ficava falando comigo mesma tentando me manter concentrada apenas no momento enquanto corria e vi que isso vai ser um constante exercício para não pensar em todas as mil coisas que se acumulam sem eu perceber.

Paciência é a chave para tudo, inclusive para pensar em correr 5, 8, 10, 21, 42 e WOW 75!

Que a gente vá aos poucos, mas que não deixe de ir!

Caminhar e correr x Ansiedade 

Eu nunca fui uma pessoa 100% sedentária. Adorava quando meus amigos me chamavam para dar uma volta de bike, fazer uma caminhada ou algo do tipo (menos quando eu jogava The Sims, porque The Sims é amô 😂). 

Quando eu tinha 11/12 anos, minha mãe era do mundo fitness e me arrastava para as caminhadas e aulas de dança dela. Confesso que eu adorava! 

Depois de um tempo, minha mãe parou e eu já com a perna quase durinha, tive que parar também. Tinha muito medo de ir sozinha e na época não tinha companhia para ir caminhar tão cedo.

Nesse fim de ano tudo mudou! Meu objetivo era começar a fazer academia quando começasse a trabalhar, mas a gente faz um inglês aqui, um cursinho pré-vestibular ali, precisa comprar umas roupas sociais e quando vê, a grana acabou. Desisti.

Depois de quase um ano tentando me organizar, comecei bem, bem devagar com a caminhada. Aproveitando a oportunidade de morar perto de um parque, vou, dou uma voltinha por lá e volto a pé. 

Mas… O foco desse post não é nem falar sobre como estou voltando aos poucos para a vida ativa, mas sim, sobre como está me ajudando com a ansiedade e estresse. Sou uma pessoa muito ansiosa e desconto isso na pele. Quem me conhece sabe que eu tenho uma alergia bem tensa, mas quando estou ansiosa, nervosa ou estressada, minha mão começa a ressecar, coçar e eu me machuco muito! 

No próximo fim de semana, milhares de jovens vão fazer o tal do ENEM e eu sou uma delas. NUNCA fiz uma prova desse tamanho antes. Fiquei nervosa fazendo a prova de uma escola técnica e isso me atrapalhou muito. Resultado? Não passei e fiquei bem triste. 

Ontem foi dia de caminhada e estou me sentindo só um pouquinho mais tranquila para fazer a prova. Treinando a respiração e melhorando a alimentação, esqueço que tenho que estudar tanto para a tal prova e parei de me cobrar tanto. Os dias da semana são impossíveis para caminhada e corrida por enquanto, mas tiro o fim de semana para cuidar um pouquinho mais de mim. Às vezes subir uma simples escada se torna uma preguiça dolorida e além da postura torta de quem não está acostumado, isso atrapalha até as tarefas de casa. Quero que isso mude.

Um dos meus atuais objetivos é começar a correr. Correr de verdade! 1, 2, 5, 10, 21, 40 km. Entendo que Paciência&Calma são fundamentais para não forçar meu corpo mais do que ele aguenta e claro, não dá pra começar a correr com um tênis não apropriado (pelo menos ontem não funcionou e não aguentei correr por 10 minutos sentindo uma dorzinha no pé com um tênis nada confortável para isso). Achei melhor não continuar.

Essas dores são comuns até certo ponto. Quando fiz academia pela primeira vez, senti como se tivesse tomado uma surra, mas sabia que era normal, afinal, não extrapolei meus limites, só que estava fazendo um exercício um pouco mais pesado.

Espero que ajude um pouco quem está querendo sair da vida sedentária e dê uma inspirada por aí. Não sou expert e estou só começando, mas tudo o que for aprendendo a gente vai compartilhando 😉