Corri 2 km pela primeira vez

Primeiramente eu confesso que achei que seria mais fácil. Um pouco menos dolorido talvez, mas não!

Não sei se já contei aqui, mas quem me conhece sabe que eu caminhava com minha mãe quando tinha 10/11 anos (tinha até a panturrilha durinha) a mesma distância que resolvi correr esses dias.

Era uma quarta-feira, 16:40 quando saí de casa e o restinho de sol me cozinhava tipo brócolis ao vapor. Comecei caminhando mantendo um ritmo OK para começar a sentir os músculos da minha perna esquentarem e ver se acelerava os passos aos poucos. Subi a ladeira de casa e a ladeira da rua de cima que dá para a avenida principal caminhando.

Cheguei no ponto em que queria chegar e comecei a ensaiar um ritmo de respiração enquanto acelerava o passo da caminhada. Mentalizei exatamente o ponto em que começaria a correr, “quando passar a linha do chão do posto de gasolina” e coloquei na cabeça que me esforçaria para não parar até chegar onde queria.

A tal linha se aproximava e eu balançava a cabeça positivamente tentando não pensar no esforço que faria até lá por ser a primeira vez que corria pra valer. “Agora vai, agora vai”. E fui! 

Comecei a correr um pouco mais rápido do que aguentaria manter. No começo é bem normal isso acontecer, né? Parece que as pilhas vão enfraquecendo, vai entender.

Ao longo dessa corrida, sentia as pernas doerem e meu rosto ficar vermelho. O terreno da calçada até lá não é tão plano, ou seja, em alguns momentos, me deparei com as ruas inclinadas que davam acesso àquela avenida. No final das contas eu pisei como se estivesse torcendo o tornozelo e isso não me causou um bom resultado depois.

Nessa primeira vez não cheguei a marcar o tempo. Sabia quantos km tinha só por ter colocado o ponto de partida e o de chegada no google maps, mas pela minha noção de tempo deu uns 10 minutos de corrida direta.

Acho que por conta da parte da caminha deu até um pouquinho menos do que 2 km, mas dentro do parque/destino final, consegui correr um pouco mais, mesmo com o chão de paralelepípedo. Na volta para casa também rolou um mini revezamento entre caminhar e correr.

Nesse dia, suei como se não houvesse amanhã, ainda mais quando cheguei em casa e parei de fato. Sentia meu corpo queimar por dentro e transbordava pra fora. Acho que pouca gente sabe mas tenho alergia ao meu próprio suor, só que nesse dia eu consegui ignorar completamente esse fato e só sabia deixar escorrer e sorri pela pequena conquista.

No dia seguinte, tive aula cedo e só eu sei a luta que foi sair da cama por conta da dor. Aliás, quinta e sexta foram dois dias complicados de se viver hahaha. Sentia o tornozelo me castigando e as coxas queimavam a cada passo. Não tomei nenhum tipo de remédio, nem usei spray ou coisas do tipo. Deixei doer como era normal doer.

No sábado acordei melhor, porém ainda sentia as coxas. Ao longo do dia a dor sumiu, mas somente no domingo me senti pronta para repetir a dose.

Acordei 7:30 com MUITA preguiça. O despertador me acordou às 7:00 e fiquei enrolando na cama pensando em como ninguém poderia correr por mim e se eu quisesse melhorar o rendimento eu teria que fazer de novo e de novo e de novo.

Levantei, me troquei e o dia estava bem mais cinza e frio do que na quarta-feira. Comi 1/2 banda de mamão e fui. No mesmo esquema “passou a linha do posto eu corro”. Corri dessa vez com um pouco mais de peso no corpo, mas mesmo assim não parei até a entrada do parque. Ah, esqueci de dizer que senti MUITA dificuldade para respirar depois, mesmo que tivesse mantido a respiração OK (bem OK meeeesmo) durante a corrida. Tive até que sentar para continuar caminhando no parque. Trabalharemos nisso. 

Antes de correr no domingo, lembrei que tinha um cronômetro em casa e levei. Marquei 8 minutos e alguns segundos correndo até lá. Dentro do parque revezei o famoso 2 por 1 (dois minutos de caminhada e 1 de corrida), mas na volta decidi ficar só na caminhada.

O after foi MUUUUITO melhor do que quinta e sexta. Não senti o corpo pesar, nem queimar e nem me castigar. Voltei para casa por volta das 8/9:00 e dormi um pouquinho mais depois de tomar um café. 

Agora eu entendi que movimentar o corpo é um desafio, mas que também é uma delícia. Eu mentalizo o “longo prazo” que talvez não faça sentido agora pensando que o começo sempre pega um pouco mais, mas que devagarzinho vai tudo ficando mais leve de concluir. Eu sou muito ansiosa e às vezes percebi que ficava falando comigo mesma tentando me manter concentrada apenas no momento enquanto corria e vi que isso vai ser um constante exercício para não pensar em todas as mil coisas que se acumulam sem eu perceber.

Paciência é a chave para tudo, inclusive para pensar em correr 5, 8, 10, 21, 42 e WOW 75!

Que a gente vá aos poucos, mas que não deixe de ir!

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A gente se engana…

Às vezes a gente se engana quando acha que algumas coisas são recíprocas e acha que sabe onde tá se metendo, percebe que nunca se sentiu tão confiante antes e quando vê… PLAU, CAIU!

É que a vida tem dessas, sabe? A gente desconfia de que tá tudo bem demais e até chega a pensar que é tudo pegadinha dela, mas o sentimento de conforto é tão bom que a gente acha que essa mente que não para é coisa de quem já tinha se entregado demais e sempre se deu mal.

A gente se engana quando diz que tá tudo bem e às vezes a gente não vê que não tá tudo bem. Quem vê de fora até diz para os olhos abrir, mas às vezes tem alguém que bloqueia a vista e deixa a gente meio bobo. A gente se cega sem querer e tem uma disposição que vem de Marte só para não deixar desistir de tentar.

A gente promete para si mesmo que dessa vez vai ser diferente e chega até a acreditar que vai, mas não é. Não foi!

A gente fica mesmo meio desacreditado quando pensa que conhece o rio em que vai entrar, mas que não é fundo o bastante para mergulhar e mesmo sendo pequena é raso o bastante para não te caber.

E aí, nessa coisa de desacreditar que o mundo ainda pode colorir, a gente vai acumulando esses incômodos sem falar, que vira uma armadura que fecha a gente em nós mesmos sem querer. Tem medo de dizer, prefere se calar. Fica esperando acontecer e cair do céu aquilo que a gente deveria levantar e ir buscar…

Meus 18 anos e um anel

Realmente acreditei que nada ia mudar, mas mudou sabe? Aqui dentro!

Esse foi o aniversário que mais comemorei. Com quem acabei de conhecer, com quem conheço há anos, com quem me levou a lugares em que nunca estive, mas foi esse anel que mudou alguma coisa dentro de mim.

Eu achava que essas coisas que passam de geração em geração era coisa de filme e que na minha família isso nunca aconteceria comigo. É bem doido quando a gente vê que na verdade, pode acontecer com qualquer um.

Esse anel foi da minha vó! 

Não cheguei a conhecê-la. Na verdade, eu nem sonhava em existir quando ela faleceu. Na verdade, nem minha mãe chegou a conhecê-la.

Esse anel esteve guardado com minha tia e eu não sabia da existência dele, mas aí no sábado, dia 30/09 eu o ganhei de presente de aniversário. Geralmente a gente “se torna mocinha” suficiente para ganhar essas coisas, mas com certeza eu não estava preparada para isso com 15 anos.

É impagável a cara que meu pai fez quando eu mostrei o anel e perguntei se ele o reconhecia. Um semblante nostálgico era tudo o que eu via e aí ele olhou durante alguns segundos e disse: é o anel da minha mãe.

Fui feliz para a minha primeira balada e de coração quentinho sentindo que algo havia mudado. Uma nova fase, novas responsabilidades e um novo jeito de ver a vida. 

Que as mudanças externas da nossa vida são importantes, mas as mudanças por dentro. Ah… essas são revolucionárias! 💛

O que eu aprendi de ter um gato

 

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@Roseveflores

Aprendi que preguiça é contagiante e que esquecer a torneira aberta faz parte, mesmo que a gente leve bronca por causa da conta de água.

Qualquer lugar é lugar de gato se enfiar. Caixas, guarda-roupas, armários e a gente vai procurar de coração apertado achando que sumiu e aí você abre o armário e lá está. O coração chega se acalma.

Aprendi a brincar de se esconder lentamente só pra fazer ela vir correndo me procurar e que o seu rascunho fracassado é o melhor brinquedo dessa vida. Se você tiver um laser e apontá-lo para a parede é melhor ainda!

Aprendi que gato é realmente diferente de cachorro e que eles às vezes gostam de ficar mais quietinhos, deitadinhos no escuro, sozinhos, mas meu amigo, se ele brincar de te arranhar, subir no seu colo e querer dormir agarradinho com você, você é uma pessoa de sorte e foi escolhido para ser amado por ele, não é pra qualquer um não, viu?

Gato não é fácil de entender, tem que ter paciência e se dedicar (vale até pedir para fazerem graça se você tiver um biscoitinho). Quando você ver, os pelos que eles soltam é só detalhe se comparar com a delícia que é ter um bichinho dormindo quentinho em cima do seu pé ou deitar em cima do seu livro só de zoas. Gato é amor pra quem sabe amar.

Eu sei que tudo na vida passa! 

Eu ainda não me acostumei e ando por aí te procurando. Um dia eu sei que vou estar em um ponto qualquer e qualquer outra coisa vai me chamar atenção e eu nem vou lembrar que você ainda faz o mesmo caminho todos os dias, mas eu ainda lembro muito bem de como eu realmente acreditava que seria totalmente diferente e que você nunca ia me soltar, mas você soltou. 
Você soltou e eu ainda tento florir, mas de vez em quando é inevitável algumas folhas caírem. É que quando a gente sente que algo é real, é difícil se conformar de que não era tudo tão real assim. 

Eu sei que tudo na vida passa, menos o amor. O amor às vezes fica. E o amor ainda tá aqui.