Das coisas que quero esquecer

Tudo o que eu quero é que um dia você não esteja mais nos meus pensamentos e que eu não sinta mais nada quando ouvir o teu nome. 

O que eu quero é não lembrar mais de você como lembro agora, que toda minha pele se renove e que ela também não se lembre dos arrepios que você me causou.

Um dia eu quero acordar sem lembrar do cheiro do seu cabelo e esquecer do seu maldito gosto por café sem açúcar. 

Eu quero um dia esquecer a sensação de quando você me abraçava e da paz que eu sentia quando encostava minha cabeça no seu peito. 

É engraçado como as coisas mudam rápido e como a gente se sente com os movimentos bruscos da vida. A gente fala tanto de mudanças e o quão boas elas são, mas às vezes elas machucam…

Tudo o que eu quero é que o tempo cure. Logo eu, que nunca acreditei nessa coisa de que o tempo cura, tô apelando para ver se ele tem o poder de te tirar de mim. 

Quero não lembrar que um dia eu descobri que não sabia de nada sobre sentir algo por alguém até te conhecer. 

Tudo o que eu quero é esquecer que um dia quis te guardar pra sempre no meu coração e que você foi a melhor coisa que me aconteceu… até agora. 

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Confiar…

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Estive voltando para casa há alguns dias e me vi de cara feia por conta do trem demorado. Quando finalmente chegou, achei que meu cansaço de modelo (RISOS) seria compensado por um banquinho livre (SONHO PAULISTANO DE CADA DIA, RISOS DE NOVO).

Me vi em pé na frente de um senhor sentado ao lado do reservado que pediu minha bolsa para segurar. Até aí tudo bem. Na estação seguinte o reservado desocupou e quando o trem começou a andar novamente, o senhor insistiu para que eu sentasse no banco. Eu geralmente não gosto de sentar no reservado, mesmo que eu saiba que “reservado” é diferente de “exclusivo”, mas acabei sentando e peguei minha bolsa. O senhor sorriu pra mim e disse que eu parecia ter a idade de uma neta sua. Perguntou quantos anos eu tinha e ainda ouvi que tinha cara de 13 hahaha. De qualquer jeito, o moço estava acompanhado de uma mulher, mas até então eu não sabia disso. Quando percebi que ela estava com ele, soltei a respiração que estava presa. Ele começou a conversar comigo e com a moça que estava ao seu lado sobre sua vida, seu filho que não o vê há algum tempo e sobre os anos que esteve trabalhando no mesmo lugar.

Acontece que, há algum tempo atrás tive uma experiência ruim com um homem que quase me assediou no ônibus. Pode parecer besteira pelo “quase”, mas desde então nunca mais fui a mesma pessoa andando sozinha. Eu acho triste como dizem que há tanto “mimimi” quando alguém diz que é assediada ou quando alguém diminui como o outro se sente em relação a isso, mesmo que anos tenham se passado. É difícil para mim, confiar em alguém que sorri para mim, mesmo que seja um sorriso simpático. Sempre o que é ruim vem primeiro e eu não consigo dizer de primeira que aquela pessoa está realmente sendo gentil ou tem más intenções. Às vezes me entendo por isso, mas às vezes não. Mesmo depois desse dia horrível, não perdi totalmente a fé nas pessoas, mas o meu “pé atrás” com tudo às vezes é exagerado e eu queria que não fosse tão assim, mas a desconfiança é sempre maior que a entrega.

Acabei levantando para uma moça grávida sentar e o senhor pegou minha bolsa novamente. Fiquei ali, em pé, pensando nas minhas primeiras impressões sobre o homem que só quis me ajudar a carregar o peso do cansaço. Quando minha estação chegou, avisei que estava pegando a bolsa e que ia descer. Ele disse: “tenha uma ótima tarde, foi um prazer te conhecer”. Eu só soube dizer: “igualmente” e sorri. Fiquei pensando em como o julguei mal e como me senti mal com isso.

De qualquer jeito, quando saí, sorri de novo, por dentro.

Que a gente não perca a fé na humanidade! 

Ingênua eu, que achei que já tinha te superado…

Achei que tivesse te superado, mas no meio de algumas noites meu coração se aperta e me vem você na memória, com todas as pequenas coisas que aprendi sobre você. Sobre como você não gostava de açúcar no café ou quando alguém te pedia informação na rua. Você não tem ideia de como meu olho brilhava quando te olhava sendo tão cuidadoso com alguém que nem o nome você sabia. E me lembro de quando falávamos sobre as questões que eram maiores do que nós dois, de quando compartilhávamos a nossa indignação com o ódio gratuito distribuído pelas pessoas e de como não entendíamos incontáveis coisas e criávamos teorias que se contradiziam o tempo todo. No final a gente sempre dizia “ah, sei lá” e ficava tudo bem.

Acontece que já me acostumei a ter que dizer adeus às pessoas, mas cada vez é como se fosse a primeira vez e com você não podia ser diferente. Meu coração gritou pedindo pra você ficar, mas me contentei em dizer: tá, tudo bem. E está. Se não estiver, vai ficar. Mas hoje não. Hoje não me reconheci sorrindo sincera e grata por ter acontecido algo. Hoje chorei por tudo ter acabado. E eu poderia ter dito que você podia tentar mais, mas sei que não seria o melhor a se fazer. É, eu aceito, mas ainda não entendo. Talvez eu nunca entenda.

De qualquer jeito, ainda guardo aquela pequena fotografia no fundo da gaveta, não com a esperança de você voltar, mas sim com a esperança de que um dia eu possa olhar pra ela e dizer que é só uma lembrança que eu insisto em guardar.

Uma semana para (re)equilibrar

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Há dois anos atrás eu tomei uma decisão: iria parar de comer carne. Para alguns é mais fácil, para outros nem tanto. Nunca fui do tipo de pessoa que achava impossível mudar alguns hábitos, mas no começo qualquer mudança é difícil, até mesmo aquela que você quer muito.

Desde que tomei essa decisão não ficava 100% preocupada com o que tinha que comer. A única coisa de que eu tinha certeza era de que ovos tinham bastante proteína então eu sempre comia ovos e achava que estava tudo certo. Hoje já é bem diferente. Pra ser mais específica, essa semana, acordei com um pensamento diferente e decidi criar uma rotina melhor, não só falando de alimentação. Acho que nos últimos dois anos não estive dando tanta importância para a forma com que eu organizava meu dia, administrava meu tempo e muito menos para o que eu estava comendo. Acabava deixando tudo para a última hora ou enrolava demais até mesmo para lavar uma xícara na pia.

Este não é bem um post com o intuito de falar sobre vegetarianismo ou sobre como largar a carne, mas sim, para compartilhar que graças a ele eu percebi que certos tipos de mudanças de hábito fazem com que a gente fique mais atento ao que a comemos e como vivemos também, independente de ser vegetariano ou não. Depois de um ano ainda me alimentava como dava e logo comecei o pré-vestibular. Trabalhava, estudava, fazia curso e cursinho. Foi uma época em que eu não conseguia me planejar muito bem e eu diria que estava por conta própria porque todos aqui em casa tinham suas rotinas apertadas e cansativas então a comida das marmitas eram coisas rápidas que a gente jogava na panela, refogava e levava como dava e eu nesse período comia praticamente arroz, feijão e ovo todo dia. Não cheguei a desenvolver nenhum tipo de problema por conta disso (thanks god), mas também não sentia o boom na saúde que as pessoas falavam que o vegetarianismo trazia. Acho que da metade de 2016 até agora foi o período em que mais senti mudanças no meu corpo. Não só externamente, mas internamente também. Acho que foi neste período que percebi a diferença da escolha que fiz e pude entender o que essas pessoas estavam dizendo. Um ano e pouco depois… 

Apesar de ainda me considerar uma mera aprendiz, hoje posso ressaltar alguns pontos que podem ser úteis para quem pensa em mudar alguns hábitos:

  • Encontre seu próprio equilíbrio e descubra o que funciona para você. Nenhuma rotina é igual a outra, não adianta querer se comparar ao que o vizinho faz. Descobri que não curtia muito fazer essas receitas super elaboradas e hoje simplesmente aceito e não faço. Gosto da minha comida básica com refogados com azeite haha.
  • Congele as coisas tudo. Conhecer o Na nossa vida  me fez reparar no meu congelador. Sim! Congelar legumes e vegetais pelo menos cortados ou até mesmo manter algumas coisas cozidas na geladeira facilita HORRORES a vida. Aqui em casa eu costumo congelar mandioquinha, chuchu e cenoura ainda crus porque são rápidos de cozinhar quando refogados e mantenho na geladeira alface, tomate e pepino já lavados e cortados para a salada, além de brócolis já cortado ou cozido no vapor ainda meio cru. Tem algumas coisas que não valem tanto a pena congelar, mas isso vai mais de aprender na prática mesmo (couve-flor cozida e abóbora japonesa mesmo crua são casos perdidos no congelador).
  • Não deixe de comer por prazer, mas não precisa exagerar. Eu AMO bolo de café da tarde. Pode ser de laranja, de chocolate, de cenoura… mas eu percebi que quando eu faço esses bolos aqui, eu exagero MUITO. Me dá um tchutchu e quando percebo, comi o bolo inteiro. Eu acredito que a gente pode comer coisas que gosta para ser feliz também (a menos que se precise cortar de vez certas coisas por questões de saúde ou outras questões, mas aí já é outra história), mas exageros nunca são bons. É legal quando a gente se controla e acaba se acostumando a não exagerar nas coisas, só só falando de doces, mas na comida como um todo. De vez em quando acontece e tá tudo bem. Acho que o mais importante é não se pressionar tanto para ser tão restringido se não houver uma real necessidade. Deu pra entender o que quero dizer, né?
  • Comam cores. Acho que essa é a “dica” mais legal do post e a que mais me ajudou. Ultimamente tenho falado muito isso agora porque percebi que é muito bom poder escolher ter um prato colorido. Meu coração fica quentinho quando vou à feira e compro legumes e verduras e sempre agradeço por isso. Eu não gosto muito da ideia de fazer dietas específicas e já tentei montar um “guia” com combinações que descobri que gosto, mas nunca colou. Hoje em dia eu procuro misturar um pouquinho de tudo o que tem na geladeira. Muito verde, roxo, laranja, amarelo e todas as coisas que te fazem bem!
  • Vale a pena dar uma pesquisada nos benefícios dos alimentos. Ta aí um hábito que adotei há pouco tempo, mas que é bem legal para se ter uma noção dos nutrientes e vitaminas que ingerimos e como eles agem no organismo.
  • Assistir documentários pode ser uma boa ideia. “Terráqueos” foi o primeiro documentário que assisti e falava MUITO sobre a crueldade com os animais. Na época sentia dificuldades em largar o frango, mas depois dele ficou mais fácil. Acabei não terminando, mas chorei MUITO e no final das contas contou muito como um incentivo. FOOD CHOICES foi o último que assisti e ainda faltam mais ou menos 30 minutos para acabar, mas ele fala muito sobre os hábitos alimentares e o estilo de vida das pessoas e como a indústria alimentícia pode enrolar as pessoas com facilidade para que elas comprem seus produtos nos fazendo acreditar que precisamos de muitas coisas que não precisamos. Não é um documentário que fala apenas de vegetarianismo, mas mostra o estilo de vida humano como um todo. Tem na Netflix 😀 
  • Bebam água. Quando viajei para Alagoas com 14 anos, tive uma super crise de alergia e minha avó dizia que beber muita água por lá poderia ajudar. De 10 em 10 minutos praticamente ela vinha com um copo d’Água e me obrigava a beber. Naqueles dias em que fiquei lá percebi que água faz mesmo uma diferença no corpo. Fica fácil quando alguém sempre te lembra, mas manter uma garrafinha sempre por perto tem ajudado por aqui.
  • Usem protetor solar. Uma coisa que a gente sempre ouve como algo importante a se fazer diariamente e nem sempre cumpre, mas colocar o seu toda noite ao lado da escova de dentes pode ser uma ótima ideia e sério, poucas coisas são mais gostosas do que a sensação de cuidar da própria pele e não só falando de protetor solar, mas de hidratar, de remover a maquiagem e coisas assim.

Talvez este seja o post mais longo do blog até agora, mas espero que leiam com carinho e ajude não só quem está pensando em não comer mais carne, mas também quem pensa em mudar alguns hábitos, independente de quais forem. O mais importante de tudo é encontrar o equilíbrio, seja ele alimentar, físico ou mental. Essa semana começou diferente e algo tem mudado aqui dentro. Tô me sentindo bem e não sei bem como explicar 🙂

Eu não me “alugo” para o dia dos namorados

Eu acho engraçado, mas também já achei que era impossível ser feliz sozinho.

A gente ainda tem essa mania de se sentir fracassado por passar o dia dos namorados sozinhos. Junho chega e o que mais vejo nas redes sociais são pessoas se “alugando” para passar o dia dos namorados com alguém. Às vezes é só de brincadeira, eu sei, mas às vezes por dentro as pessoas realmente se sentem assim e a gente precisa refletir um pouco mais sobre isso.

A gente ainda acredita que ir ao cinema ou fazer coisas que a gente gosta sem que tenha alguém conosco é coisa que não deveria acontecer ou que é algum tipo de “desperdício”. Às vezes a gente se sente meio solitário mesmo e tá tudo bem querer estar com alguém, mas a questão aqui é não precisamos de alguém.

Parafraseando INTO THE WILD, “felicidade só é real, quando compartilhada” e faz sentido, mas tem coisas na vida em que a gente quer conquistar sozinho, vai por mim, faz um bem danado para a mente e para a autoestima e aí a parte de compartilhar a felicidade, vira uma história SUA pra contar.

É bem legal quando a gente encontra alguém na vida, aquela companhia não só para ir ao cinema ou ao parque, mas que divide a vida também, mas quem diabos disse que isso precisa ser uma necessidade constante? Não tem problema algum em escolher se conhecer primeiro.

Por que as pessoas olham estranho pra gente quando sorrimos ao cumprimentar um cachorro na rua ou até mesmo quando olhamos o céu sem ninguém para dividir um comentário sobre isso? A gente não precisa se emocionar só se estiver com alguém para nos abraçar. Às vezes é preciso tirar um tempo e apreciar certas coisas em silêncio. Sozinhos. Por que ainda acham que a gente é obrigado a sempre dividir o vinho? Tenho guardado comigo as rolhas em que meu nome está escrito. No final das contas o dia dos namorados é só mais uma data e não precisa ser uma necessidade estar com alguém se você não quiser ou se não existir alguém.

Tá tudo bem querer estar ou procurar alguém para dividir a vida ou só um dia, mas a gente não precisa aceitar qualquer pessoa na nossa vida por medo de ficarmos sozinhos, nem mesmo no dia dos namorados. Momentos carentes fazem parte da vida, mas às vezes a gente deixa pessoas tóxicas entrarem ou permanecerem porque o mundo sem elas parece mesmo solitário ou porque passar o dia 12 abraçado com alguém que não faz tão bem o ano todo parece ser bem mais interessante.

Conecte-se com você mesmo e escute o que você tem a dizer. Aproveite sua própria companhia e cante sua música favorita bem alto e dance. Seja seu. Dívida seus momentos com você mesmo, e aí, mas só aí, sinta-se preparado para ser com alguém 🙂


“[…] mas sou minha, só minha e não de quem quiser…”
Cássia Eller – 1 de julho