Ainda bem que a gente muda!

“Ainda bem que a gente muda” foi o que pensei hoje de manhã lembrando que o aniversário de uma amiga querida está chegando. Me peguei revendo na minha mente as fotos que tiramos quando nos conhecemos além do MSN (faz teeeempo).

E aí dei risada de mim mesma aos 11 anos mais ou menos, pois usava aparelho e tinha um corte de cabelo que hoje eu acho engraçado.

Pensei “ainda bem que a gente muda”, pois já pensou se a gente parasse no tempo em algum momento da vida e não tivesse mais a chance de mudar? Os mesmos gostos, o mesmo corte de cabelo, o mesmo estilo de roupa e os mesmos pensamentos?

Já pensou se tudo o que você era há alguns anos seria sua única possibilidade de ser? Quem você seria?

Quem a gente seria se acreditasse em tudo o que dizem que somos? E se a gente ouvisse somente as mesmas músicas de alguns anos?

Quem seria você se a gente não mudasse tanto?

Ainda bem que a gente muda. Imagina só se a gente não tivesse a oportunidade de aprender e ser diferente a cada dia, que ruim seria. Poder escolher quem a gente vai ser é privilégio da vida. E se parar para ver, a gente já mudou tanto.

Que a gente continue mudando.

Anúncios

Tatuagem nova, história velha

IMG_0740

Eu me lembro de ter 12 anos e uma lista interminável de tatuagens que eu queria fazer. Tinha caveira florida, borboleta e até o famoso símbolo do infinito. Ainda bem que a gente tem pai e mãe que pegam no pé e dizem: pensa com carinho!

Desde essa época eu já era doida para ter uma tatuagem e os pais ainda podiam assinar para não ter que esperar até os 18. AINDA BEM QUE ISSO MUDOU TAMBÉM!

Eu tinha tanta vontade de me tatuar que nem passava pela cabeça a dor, os cuidados e como aquilo estaria marcado na pele para sempre. Sempre ouvia falar, mas nunca realmente parei para pensar. Ainda bem que a gente tem que crescer (por dentro e por fora) para tomar uma decisão assim.

A Nicole de 12 anos não imaginaria que seria um gato que lhe ensinaria muita coisa sobre o amor e nunca lhe passou pela cabeça que seria essa a sua primeira tatuagem. Ela não sabia de nada ainda.

6 anos depois eu já me sentia preparada para dar mais esse passo na vida.

Tenho uma pastinha no Pinterest com todas as ideias que tive nesse meio tempo (e que guardo para futuras oportunidades 😀 (ou só guardo por achar bonito mesmo hihi)). Ser libriana fez com que demorasse muito tempo para finalmente escolher o que faria e essa indecisão já vem antes de setembro #LibraPeopleProblems.

Então, um dia buscando referências encontrei um gatinho preto entre as flores. Pensei: CARACA, FIZERAM ISSO PRA MIM (aquelas haha). Acho que todo mundo que me segue no instagram sabe que a Rose, minha gata, é branca com uma patinha de flocos e umas manchas amarelas no rosto. Até pensei em substituir o gato preto por ela, mas depois pensei bem e percebi que estava perfeito do jeitinho que estava.

Desconstruí todas as ideias que eu tinha e quando bati o olho naquele desenho tive certeza de que ele diria muito sobre quem eu estava me tornando. Logo eu, que nunca pensei que teria e amaria um gato, resolvi logo tatuar um no braço, onde eu vejo com frequência. Flores nunca foram o meu forte e aqui no blog é a minha metáfora para falar também sobre as coisas boas e as coisas que colorem a minha vida, igual as flores colorem os jardins. Acho que tinha tanto a ver comigo que até as pessoas que viram perceberam. Muitas vezes ouvi a frase “achei sua cara” e foi aí que eu percebi que tinha feito a escolha certa!

Engraçado como a gente muda, né?

IMG_0757

IMG_0748-2

IMG_0760

Corri 2 km pela primeira vez

Primeiramente eu confesso que achei que seria mais fácil. Um pouco menos dolorido talvez, mas não!

Não sei se já contei aqui, mas quem me conhece sabe que eu caminhava com minha mãe quando tinha 10/11 anos (tinha até a panturrilha durinha) a mesma distância que resolvi correr esses dias.

Era uma quarta-feira, 16:40 quando saí de casa e o restinho de sol me cozinhava tipo brócolis ao vapor. Comecei caminhando mantendo um ritmo OK para começar a sentir os músculos da minha perna esquentarem e ver se acelerava os passos aos poucos. Subi a ladeira de casa e a ladeira da rua de cima que dá para a avenida principal caminhando.

Cheguei no ponto em que queria chegar e comecei a ensaiar um ritmo de respiração enquanto acelerava o passo da caminhada. Mentalizei exatamente o ponto em que começaria a correr, “quando passar a linha do chão do posto de gasolina” e coloquei na cabeça que me esforçaria para não parar até chegar onde queria.

A tal linha se aproximava e eu balançava a cabeça positivamente tentando não pensar no esforço que faria até lá por ser a primeira vez que corria pra valer. “Agora vai, agora vai”. E fui! 

Comecei a correr um pouco mais rápido do que aguentaria manter. No começo é bem normal isso acontecer, né? Parece que as pilhas vão enfraquecendo, vai entender.

Ao longo dessa corrida, sentia as pernas doerem e meu rosto ficar vermelho. O terreno da calçada até lá não é tão plano, ou seja, em alguns momentos, me deparei com as ruas inclinadas que davam acesso àquela avenida. No final das contas eu pisei como se estivesse torcendo o tornozelo e isso não me causou um bom resultado depois.

Nessa primeira vez não cheguei a marcar o tempo. Sabia quantos km tinha só por ter colocado o ponto de partida e o de chegada no google maps, mas pela minha noção de tempo deu uns 10 minutos de corrida direta.

Acho que por conta da parte da caminha deu até um pouquinho menos do que 2 km, mas dentro do parque/destino final, consegui correr um pouco mais, mesmo com o chão de paralelepípedo. Na volta para casa também rolou um mini revezamento entre caminhar e correr.

Nesse dia, suei como se não houvesse amanhã, ainda mais quando cheguei em casa e parei de fato. Sentia meu corpo queimar por dentro e transbordava pra fora. Acho que pouca gente sabe mas tenho alergia ao meu próprio suor, só que nesse dia eu consegui ignorar completamente esse fato e só sabia deixar escorrer e sorri pela pequena conquista.

No dia seguinte, tive aula cedo e só eu sei a luta que foi sair da cama por conta da dor. Aliás, quinta e sexta foram dois dias complicados de se viver hahaha. Sentia o tornozelo me castigando e as coxas queimavam a cada passo. Não tomei nenhum tipo de remédio, nem usei spray ou coisas do tipo. Deixei doer como era normal doer.

No sábado acordei melhor, porém ainda sentia as coxas. Ao longo do dia a dor sumiu, mas somente no domingo me senti pronta para repetir a dose.

Acordei 7:30 com MUITA preguiça. O despertador me acordou às 7:00 e fiquei enrolando na cama pensando em como ninguém poderia correr por mim e se eu quisesse melhorar o rendimento eu teria que fazer de novo e de novo e de novo.

Levantei, me troquei e o dia estava bem mais cinza e frio do que na quarta-feira. Comi 1/2 banda de mamão e fui. No mesmo esquema “passou a linha do posto eu corro”. Corri dessa vez com um pouco mais de peso no corpo, mas mesmo assim não parei até a entrada do parque. Ah, esqueci de dizer que senti MUITA dificuldade para respirar depois, mesmo que tivesse mantido a respiração OK (bem OK meeeesmo) durante a corrida. Tive até que sentar para continuar caminhando no parque. Trabalharemos nisso. 

Antes de correr no domingo, lembrei que tinha um cronômetro em casa e levei. Marquei 8 minutos e alguns segundos correndo até lá. Dentro do parque revezei o famoso 2 por 1 (dois minutos de caminhada e 1 de corrida), mas na volta decidi ficar só na caminhada.

O after foi MUUUUITO melhor do que quinta e sexta. Não senti o corpo pesar, nem queimar e nem me castigar. Voltei para casa por volta das 8/9:00 e dormi um pouquinho mais depois de tomar um café. 

Agora eu entendi que movimentar o corpo é um desafio, mas que também é uma delícia. Eu mentalizo o “longo prazo” que talvez não faça sentido agora pensando que o começo sempre pega um pouco mais, mas que devagarzinho vai tudo ficando mais leve de concluir. Eu sou muito ansiosa e às vezes percebi que ficava falando comigo mesma tentando me manter concentrada apenas no momento enquanto corria e vi que isso vai ser um constante exercício para não pensar em todas as mil coisas que se acumulam sem eu perceber.

Paciência é a chave para tudo, inclusive para pensar em correr 5, 8, 10, 21, 42 e WOW 75!

Que a gente vá aos poucos, mas que não deixe de ir!

A gente se engana…

Às vezes a gente se engana quando acha que algumas coisas são recíprocas e acha que sabe onde tá se metendo, percebe que nunca se sentiu tão confiante antes e quando vê… PLAU, CAIU!

É que a vida tem dessas, sabe? A gente desconfia de que tá tudo bem demais e até chega a pensar que é tudo pegadinha dela, mas o sentimento de conforto é tão bom que a gente acha que essa mente que não para é coisa de quem já tinha se entregado demais e sempre se deu mal.

A gente se engana quando diz que tá tudo bem e às vezes a gente não vê que não tá tudo bem. Quem vê de fora até diz para os olhos abrir, mas às vezes tem alguém que bloqueia a vista e deixa a gente meio bobo. A gente se cega sem querer e tem uma disposição que vem de Marte só para não deixar desistir de tentar.

A gente promete para si mesmo que dessa vez vai ser diferente e chega até a acreditar que vai, mas não é. Não foi!

A gente fica mesmo meio desacreditado quando pensa que conhece o rio em que vai entrar, mas que não é fundo o bastante para mergulhar e mesmo sendo pequena é raso o bastante para não te caber.

E aí, nessa coisa de desacreditar que o mundo ainda pode colorir, a gente vai acumulando esses incômodos sem falar, que vira uma armadura que fecha a gente em nós mesmos sem querer. Tem medo de dizer, prefere se calar. Fica esperando acontecer e cair do céu aquilo que a gente deveria levantar e ir buscar…

Meus 18 anos e um anel

Realmente acreditei que nada ia mudar, mas mudou sabe? Aqui dentro!

Esse foi o aniversário que mais comemorei. Com quem acabei de conhecer, com quem conheço há anos, com quem me levou a lugares em que nunca estive, mas foi esse anel que mudou alguma coisa dentro de mim.

Eu achava que essas coisas que passam de geração em geração era coisa de filme e que na minha família isso nunca aconteceria comigo. É bem doido quando a gente vê que na verdade, pode acontecer com qualquer um.

Esse anel foi da minha vó! 

Não cheguei a conhecê-la. Na verdade, eu nem sonhava em existir quando ela faleceu. Na verdade, nem minha mãe chegou a conhecê-la.

Esse anel esteve guardado com minha tia e eu não sabia da existência dele, mas aí no sábado, dia 30/09 eu o ganhei de presente de aniversário. Geralmente a gente “se torna mocinha” suficiente para ganhar essas coisas, mas com certeza eu não estava preparada para isso com 15 anos.

É impagável a cara que meu pai fez quando eu mostrei o anel e perguntei se ele o reconhecia. Um semblante nostálgico era tudo o que eu via e aí ele olhou durante alguns segundos e disse: é o anel da minha mãe.

Fui feliz para a minha primeira balada e de coração quentinho sentindo que algo havia mudado. Uma nova fase, novas responsabilidades e um novo jeito de ver a vida. 

Que as mudanças externas da nossa vida são importantes, mas as mudanças por dentro. Ah… essas são revolucionárias! 💛