O que aprendi: de ter um cachorro

Acho engraçado o jeito dos animais. Eles não entendem as coisas como entendemos, mas eles entendem.

Se comunicam sem palavras, só com um olhar ou até mesmo uma viradinha na cabeça. Às vezes eles te olham meio assim… de canto de olho… só esperando para saber se deve te chamar para brincar ou se o clima não está muito favorável para ele naquele momento.

Às vezes, cansados de um dia cheio, não damos tanta atenção ou vamos, colocamos a comida e voltamos para dentro de casa para correr com outras coisas, mas eles tem um poder que faz com que a gente não consiga resistir àquela carinha com a bola murcha na boca como se dissesse: só um pouquinho, vai. E na maioria das vezes, não resisto mesmo. E eles sabem que a gente não resiste.

Não importa se seu cachorro é de raça ou não, porque apesar das características físicas diferentes, no final do dia ele te olha, te pede um carinho, uma bolinha – aquela que não tem como estourar e aquela borracha mole que sobrou depois de um dente fincado – jogada no quintal para que ele possa pegar. Às vezes ele só quer um carinho na cabeça mesmo.

E para ele, um quintal para correr,  uma bolinha para pegar e um carinho para receber já é essencial.

Para ele, isso é felicidade!

PS: eu amo esse curta.

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Vale a pena ver de novo: Nasce uma estrela

Fonte: Pinterest

Lembro como se fosse ontem. Estava na sala de cinema prestes a assistir um filme de terror pela primeira vez na telona. Aquele dia me deu certeza de duas coisas:

1. Filme de terror não é algo que gosto muito

2. Eu precisava ver ‘Nasce uma estrela’

Dentre os mil trailers que passam no cinema antes do filme, aquele rosto familiar me chamou a atenção. Sabia que a Lady Gaga já tinha feito participação em American Horror Story, mas não imaginei que era ela mesmo no filme, ainda mais por conhecer a cantora e suas super produções musicais desde Paparazzi. Duvidei por um momento, mas logo me dei conta de que a intuição não falhou. Quando ouvi aqueles trechinhos da trilha sonora eu tive certeza de que esse filme me deixaria no chão. E deixou.

Eu quase nunca escrevo sobre filmes, até porque não sou a maior entendedora cinéfila da vida, tampouco gosto de escrever resenhas parecidas com as que vejo por aí. Gosto de falar sobre como me marcam de alguma forma. Esse foi um desses que marcam.

O fato de ter uma cantora que fez parte da minha infância me atiçou em um primeiro momento, mas o desenrolar da história me prendeu a ponto de não levantar da cadeira nem para pegar o refil da pipoca.

Ally é uma garota que sonha em ser cantora, mas lhe falta confiança e apoio. Quando Jack a conhece, isso muda radicalmente. Ele percebe e acredita que ela possui um potencial gigantesco e resolve ajudar, afinal, ele já é um cantor famoso e amado.

Ao longo da história, conhecemos o Jackson de verdade: aquele que canta e encanta muito, mas que sofre com o alcoolismo e o vício em drogas e apesar de se apaixonarem, isso se torna um problema mais sério na relação dos dois.

Confesso que alguns pontos me incomodaram um pouco, como por exemplo a facilidade e rapidez com que os dois se tornaram íntimos. Achei até um pouco forçado, mas com o desenrolar da história entendi que detalhar demais o começo dos dois não era o foco. Ficou tudo bem.

Eu sou um pouco suspeita para falar sobre ‘Nasce uma estrela’ porque os filmes musicais que falam de amor são os meus favoritos. Além disso, eu nunca tinha visto a atuação da Lady Gaga e me surpreendi com a leveza do papel, mesmo que sua personagem perca uma pontinha da essência quando faz sucesso. De qualquer forma, a atuação dela foi um dos pontos que mais mexeram comigo. Acho legal quando a gente tem uma imagem de algo e quando conhece um outro lado acaba desconstruindo tudo o que sabe sobre aquilo.

Valeu a pena chegar mais tarde em casa depois de um dia cansativo em plena quarta-feira só pra ouvir os dois cantarem juntos. Além de tudo, a trilha sonora é demais. ‘Shallow’ e ‘Music to my eyes’ são de tirar o fôlego.

Cheguei e fui dormir de coração quentinho.

Por aí: Um fim de semana em Campos do Jordão

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Um fim de semana de suspirar e agradecer

Campos do Jordão é um lugar que eu sonhava muito conhecer. É incrível quando desejamos tanto alguma coisa e encontramos pessoas com a mesma vibe que a nossa, né? É mais legal ainda quando, apesar dos dias mais difíceis, a gente sabe que precisa enfrentar momentos que exigem mais paciência e resiliência de nós e quando temos um objetivo maior, que sabemos que fará um bem danado para a nossa vida, todos os problemas se tornam pequenos ou quase nulos.

Conhecer a cidade não foi só mais um passeio de turista. Foi uma realização mais profunda. Foi a primeira viagem que paguei após alguns meses de estágio. Saber que posso proporcionar momentos de paz como estes para mim mesma a partir de um esforço próprio é o que mais me motiva.

Nosso roteiro nada planejado

Guardamos dinheiro durante alguns meses para passar um fim de semana em Campos. A nossa ideia seria encontrar um lugar mais em conta para ficar e poder sair para comer em restaurantes mais típicos, consequentemente estes são os mais caros. Resolvemos alugar um Airbnb para economizar na estadia e os restaurantes decidimos na hora de acordo com o cardápio que ficava exposto do lado de fora dos lugares.

Não planejamos bem um roteiro. Dormimos em Taubaté na Sexta-feira, estávamos exaustos da viagem e acabamos acordando mais tarde do que seria o ideal. De Taubaté até Campos do Jordão gastamos uns 40 minutos e no meio do caminho encontramos um ‘Frango Assado’, que faz parte de uma rede de paradas na estrada. O ‘Frango Assado’ é um lugar querido por nós por conta do pão de semolina. Aproveitamos para tomar café por lá.

Chegamos em Campos do Jordão por volta de 12:00 no sábado. Deixamos nossas coisas na casa que alugamos e fomos andando até o centro de Capivari, famoso por conta da arquitetura típica, a cervejaria Baden Baden e outros restaurantes no centrinho. Passeamos durante a tarde, almoçamos e compramos lembrancinhas.

Durante a noite de sábado nós saímos para comer fondue doce. Saímos de casa com duas tapiocas na barriga para não precisar comer nada além de chocolate. De um modo geral as coisas em Campos são caras, principalmente os restaurantes. Em média gastamos em torno de R$140,00 em cada refeição, mas demos sorte no fondue. Pagamos R$80,00 no rodízio de fondue doce para duas pessoas.

No domingo acordamos e estava frio com carinha de chuva. Fizemos o checkout às 11:00 e fomos aproveitar o domingo. Fomos em setembro, fora de época de inverno, porém com a cidade se organizando para um evento de bikes que não sabíamos, ou seja, percebemos o movimento da cidade, mas não sabíamos que o evento fecharia a avenida principal da cidade e algumas paralelas. Estava tudo um caos. Tivemos que deixar o carro na rua da casa que ficamos para voltar andando. Chegamos no centro, almoçamos e o céu começou a escurecer. Sabíamos que não teríamos mais tempo de andar tanto. No meio do caminho a chuva caiu e por pouco não ficamos resfriados. Aproveitamos e viemos embora. Isso por volta de 14:30.

Na estrada paramos para comprar o pão de semolina e trazê-lo para São Paulo e pegamos 5 horas de trânsito. Ficamos exaustos, mas ainda lembramos desse fim de semana com muito carinho e saudade. Com certeza nós vamos voltar.

Dicas que fazem a diferença para quem tem um cachorro grande e peludo

Quando me perguntaram se eu podia ficar com o Luke, a primeira coisa que fiz foi pesquisar como era cuidar de um Golden Retriever. A maioria dos blogs, sites e vídeos que vi falavam sobre os gastos com comida, banho e adestramento. Quando a gente pesquisa algumas coisas, é extremamente importante tentar adaptar para a nossa realidade. Vi pessoas falando que gastavam mais de 600 reais por mês com tudo isso e particularmente eu não poderia. Além disso, muito do que eu li e ouvi me assustou no sentido de: se eu não fizer tal coisa, não estarei cuidando dele direito. Resultado: comecei a transformar tudo em regra e cheguei a questionar se eu deveria ficar ou não com ele.

Mas a verdade é que a gente precisa de experiência e muito do que eu vi que era considerado um gasto a mais, poderia se transformar em mais tempo e menos dinheiro envolvido. Estava aproveitando para testar algumas coisas que funcionaram melhor por aqui e separei algumas dicas que me ajudam MUITO com os cuidados do Luke.

  • Aspirador/soprador – Além de ser muito grande, o Luke tem muito pelo e só o secador, mesmo quente, não aguenta sozinho. Em casa nós temos um aspirador de pó daqueles modelos com soprador e quando damos banho no Luke, ESSE NEGÓCIO SALVA A VIDA! Sabe quando fica um aglomerado de fios acumulando água? Então. O ‘soprador’ faz com que os pelos se separem e não acumulem água. Fica muito mais fácil e rápido de secar.
  • Escovação diária (ou quase) – Dedicar uns 10/15 minutinhos do dia, nem que seja à noite depois do trabalho, para escovar os pelos do Luke tem me ajudado MUITO a controlar os tufos voando pelo quintal igual em filmes de faroeste. A dica da dica é: escovação no sentido contrário do crescimento dos pelos. Quando ele está sentado eu passo a escova de baixo para cima nas costas. Isso faz com que não só saia os que estão soltos em cima, mas também os que ficam presos entre os outros fios. Alguns dias são mais corridos do que outros, mas o importante é manter uma frequência.
  • Alimentação – uma das coisas que mudamos no Luke foram seus hábitos alimentares. Ele tinha um pote de ração enorme com comida à vontade na antiga casa e ninguém controlava a alimentação dele. Isso é ruim não só por uma questão de estética, mas por uma questão de saúde também. Ele chegou em casa muito acima do peso que ele deveria ter, tanto que os cotovelos dele estavam até ‘carecas’ porque além de ser pesado, ele não era ativo, não tinha espaço, enfim… ele provavelmente ficava deitado o dia inteiro e até hoje não cresceram pêlos o suficiente para cobrir o cotovelo. Cada cachorro tem uma porção adequada de acordo com o porte e peso. Os pacotes de ração geralmente indicam, mas nada como um bom veterinário para ajudar. Além disso, melhor do que comprar esses ossinhos e snacks industrializados é investir em snacks naturais como cenoura, abóbora, brócolis, etc. além de tudo são mais saudáveis, principalmente se cozidos no vapor. O Luke emagreceu muito desde que chegou e hoje tem uma aparência muito mais saudável.

Cada cachorro precisa de um cuidado diferente de acordo com seu temperamento e personalidade, claro que, se ele for de raça, dependendo de qual for também tem alguns cuidados específicos, mas foi isso que funcionou por aqui.

Assim que soube do Luke, fiquei empolgada com a ideia de ter um Golden Retriever sem apoiar o ‘mercado’ de filhotes na qual eu sou totalmente contra, mas ao mesmo tempo fiquei pensando se teria condições de manter um cachorro de raça.

Será que ele realmente precisaria tomar banho no pet shop toda semana? Será que ele realmente precisaria de um super treinamento com adestrador? Nem sempre a resposta para todos esses tipos de pergunta é ‘SIM’. É importante sabermos o que é necessidade e o que é luxo e colocar na balança. É importante pensar nisso por conta das emergências que podem surgir e a reserva financeira que pode não ter.

O Luke já não é mais filhote e também não é castrado ainda e claro que isso dificulta um pouco no adestramento, principalmente do xixi, mas não chega a ser algo que não dá para se conviver. Tem que ter paciência e disposição. Além disso, ele já sabia dar uma patinha e aqui em casa aprendeu a dar a outra. Não é impossível ensinar, mesmo que ele já seja grandinho.

Mas o mais importante de tudo! 

Independente do que for fazer e de como ele for, cuide do seu bichinho com amor 🙂

Uma breve reflexão sobre viver no automático

“As pessoas vivem no automático”. Cansei de ouvir essa frase por aí e confesso que depois de um tempo ela se tornou um pouco vazia. Ficava me perguntando o que era, de fato, até que duas situações aconteceram durante o fim de semana:

Estava com uma amiga no curso de inglês no sábado. Entre as duas aulas nós temos alguns minutos de intervalo para tomar um café. Geralmente a garrafa do café fica do lado esquerdo e a do chá, do lado direito. Minha amiga, café lover, foi direto no lado esquerdo, como sempre faz. Quando tomou… “eita, eu peguei chá”, “nossa, a garrafa está trocada hoje” a outra disse. “Hahaha, isso que dá viver no automático”, brinquei, mas não esqueci.

No domingo à noite resolvi fazer creme de abóbora. Cortei, cozinhei o suficiente no vapor para tirar a casca dura e na hora de temperar e deixar derreter para amassar, peguei o potinho de tempero que tem alguns furinhos e chacoalhei como sempre chacoalho: com força porque às vezes custa sair. Quando o fiz, caiu o pote inteiro de cominho dentro da minha abóbora. Sorte que ainda não estava derretida e eu consegui lavar. Meu creme ficou uma delícia e sem gosto de cominho. Pensei que era a vida me dando uma chance de pensar sobre isso e deu vontade de escrever.

Estou tentando encontrar um desfecho para as duas histórias bobas, mas não consigo simplesmente concluir com um “é isso”, porque isso me fez desacelerar para pensar e escrever. Depois disso, difícil não repensar em como se vive, né? A questão deixa o âmbito da situação cotidiana isolada e se torna uma reflexão com muitas outras histórias que compõem a ideia de viver no automático.

Talvez o desfecho desse texto seja um convite. Um convite a repensar as coisas que a gente faz automaticamente e aproveitar mais a imersão de certos momentos da vida. Prestar mais atenção no que está em volta.

A gente não tem ideia do tanto de coisas que perde quando faz as coisas por fazer. Acaba vivendo só por viver e deixa um monte de coisas passar.

Aproveite. O tempo voa e a gente nem vê.