(Re)conhecer o mar

Há anos eu vou à praia e fico só na espreita observando de longe o balanço do mar, as ondas e o quão fascinante é essa história de maré alta e baixa. A natureza sabe mesmo o que faz, a gente só tem que estudar para entender seus momentos e como nós podemos aproveitá-los.

Há anos eu vou à praia e só observo… observo minha família que se joga no mar com tanta facilidade assim como a maior parte das outras pessoas que lotam a areia.

Há anos eu só observo, quietinha eu estudo meu próprio momento e meu corpo se acanha com chega perto do mar. Se contrai, pede socorro.

Mas não dessa vez.

2018 começou do jeito que tinha que começar seguindo a vontade da vida. Já esperava algumas coisas, mas me surpreendi com outras.

Me surpreendi mais ainda com o momento em que cheguei aqui. Praia do Gunga, Alagoas, Brasil. Êtcha Brasil. Perdi a noção da quantidade de minutos em que abracei o pano ao redor de mim e observei o ir e vir do mar que me hipnotizou de um jeito que não sei explicar. Naquela noite, exausta, mas com uma energia que demorou um pouco para me pôr para dormir, tiquei na cabeça: eu vou (re)conhecer o mar!

Hoje, 30 de janeiro de 2018 eu me conectei comigo mesma de um jeito que me fez sorrir sozinha do jeito mais sincero que já sorri alguma vez pensando nas mil possibilidades de expressar o que estou sentindo. Eu, que nem sou de exatas prefiro simplificar a equação dizendo que atrai as melhores energias do mar para o meu ano.

Praia de Antunes me renovou. A natureza sabe mesmo o que faz!

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Até quando a gente vai ter medo de se entregar?

Eu sei, eu sei que existem exceções, mas hoje eu não escrevi para relativizar.

Me pergunto até quando a gente vai se dar um beliscão e dizer para si mesmo: para de ser assim, e se der errado… de novo? Até quando a gente vai se forçar a esperar sempre o pior por ter medo de se decepcionar? Qual a garantia de que se vestir uma armadura não vai doer?

É que depois de algum tempo, o frio que a gente sente na barriga deixa de rosar as bochechas e traz mais um ar de “ihhhh, vai dar merda!”. Por que a gente faz isso com nós mesmos? A gente fica com medo porque acha que vai ser mais um fim do mundo e que vai dar tudo errado. Por mais que a gente sempre diga que tudo é aprendizado, às vezes a gente esquece de enxergar o melhor nas situações… e nas pessoas. A gente às vezes quer se fechar demais, sempre com um pé atrás achando que vai ser só mais uma decepção. Sinto dizer, mas às vezes é só isso que é.

Fico sorrindo sozinha imaginando as situações, mas logo depois o sorriso desaparece e começo a me sentir preocupada. E se der errado? Por que a gente fica tão agoniado e não consegue esperar para ver? Chega a um ponto em que queremos saber antes o que vai ser para não dar chance de acumular mais um coração partido. Fico ansiosa, inquieta e às vezes acordo no meio da noite. Que loucura é essa que  não consigo explicar?

Esqueço do processo, às vezes ele não me interessa. Parece que vai ser tudo igual, tipo um ciclo, sabe? Eles vêm, fazem a gente se sentir especial, depois vão embora, né?

“A gente supera” é o que digo quando tento fazer com que eu mesma me sinta melhor. Mas é sempre assim, eu nunca sei direito como agir e sempre me pego entrando em conflito comigo mesma na tentativa de fazer com que eu não crie expectativas, mas quando deito a cabeça no travesseiro não é difícil me apegar ao que minha imaginação cria.

A vida nunca responde quando a gente pergunta os porquês de tudo ser tão complicado. Facilitar não é um ponto forte e a gente tem que aprender a deixar ser, fazer o quê? Ela não pede a nossa opinião, nem pergunta se vai doer. Ela não para pra assoprar se arranhou quando caiu. Ela só te faz chegar a uma estrada com dois caminhos: o de tentar e o de desviar. Eu paro na estrada por algum tempo e nunca sei direito para onde ir.

E aí vida, qual o próximo destino que você vai me levar? 

Tá aí uma coisa que me pergunto quando vou dormir e vou continuar pensando logo quando acordar.

Você já correu de olhos fechados?

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Semana passada fechei os olhos enquanto corria. Foi uma das sensações mais estranhas e empolgantes que senti.

Correr de olhos fechados é ouvir o barulho das folhas secas no chão com muito mais intensidade quando se pisa nelas, é se concentrar mais ainda na própria respiração, sentir o cheiro da grama ainda molhada da chuva e sentir ainda mais o impacto dos pés no chão.

Percebi os outros sentidos mais aguçados. Mesmo com medo de tropeçar é continuar. É um teste de confiança em si mesmo, é descobrir até que ponto vai a comunicação do corpo, é imaginar o próprio caminho estendido à sua frente tentando memorizar os detalhes e os obstáculos a desviar se eles existirem.

De vez em quando a gente abre o olho, só para ter certeza quando a memória falhar.

Correr de olhos fechados é se sentir mais presente e ao mesmo tempo não saber onde se está.   

Ainda bem que a gente muda!

“Ainda bem que a gente muda” foi o que pensei hoje de manhã lembrando que o aniversário de uma amiga querida está chegando. Me peguei revendo na minha mente as fotos que tiramos quando nos conhecemos além do MSN (faz teeeempo).

E aí dei risada de mim mesma aos 11 anos mais ou menos, pois usava aparelho e tinha um corte de cabelo que hoje eu acho engraçado.

Pensei “ainda bem que a gente muda”, pois já pensou se a gente parasse no tempo em algum momento da vida e não tivesse mais a chance de mudar? Os mesmos gostos, o mesmo corte de cabelo, o mesmo estilo de roupa e os mesmos pensamentos?

Já pensou se tudo o que você era há alguns anos seria sua única possibilidade de ser? Quem você seria?

Quem a gente seria se acreditasse em tudo o que dizem que somos? E se a gente ouvisse somente as mesmas músicas de alguns anos?

Quem seria você se a gente não mudasse tanto?

Ainda bem que a gente muda. Imagina só se a gente não tivesse a oportunidade de aprender e ser diferente a cada dia, que ruim seria. Poder escolher quem a gente vai ser é privilégio da vida. E se parar para ver, a gente já mudou tanto.

Que a gente continue mudando.

Tatuagem nova, história velha

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Eu me lembro de ter 12 anos e uma lista interminável de tatuagens que eu queria fazer. Tinha caveira florida, borboleta e até o famoso símbolo do infinito. Ainda bem que a gente tem pai e mãe que pegam no pé e dizem: pensa com carinho!

Desde essa época eu já era doida para ter uma tatuagem e os pais ainda podiam assinar para não ter que esperar até os 18. AINDA BEM QUE ISSO MUDOU TAMBÉM!

Eu tinha tanta vontade de me tatuar que nem passava pela cabeça a dor, os cuidados e como aquilo estaria marcado na pele para sempre. Sempre ouvia falar, mas nunca realmente parei para pensar. Ainda bem que a gente tem que crescer (por dentro e por fora) para tomar uma decisão assim.

A Nicole de 12 anos não imaginaria que seria um gato que lhe ensinaria muita coisa sobre o amor e nunca lhe passou pela cabeça que seria essa a sua primeira tatuagem. Ela não sabia de nada ainda.

6 anos depois eu já me sentia preparada para dar mais esse passo na vida.

Tenho uma pastinha no Pinterest com todas as ideias que tive nesse meio tempo (e que guardo para futuras oportunidades 😀 (ou só guardo por achar bonito mesmo hihi)). Ser libriana fez com que demorasse muito tempo para finalmente escolher o que faria e essa indecisão já vem antes de setembro #LibraPeopleProblems.

Então, um dia buscando referências encontrei um gatinho preto entre as flores. Pensei: CARACA, FIZERAM ISSO PRA MIM (aquelas haha). Acho que todo mundo que me segue no instagram sabe que a Rose, minha gata, é branca com uma patinha de flocos e umas manchas amarelas no rosto. Até pensei em substituir o gato preto por ela, mas depois pensei bem e percebi que estava perfeito do jeitinho que estava.

Desconstruí todas as ideias que eu tinha e quando bati o olho naquele desenho tive certeza de que ele diria muito sobre quem eu estava me tornando. Logo eu, que nunca pensei que teria e amaria um gato, resolvi logo tatuar um no braço, onde eu vejo com frequência. Flores nunca foram o meu forte e aqui no blog é a minha metáfora para falar também sobre as coisas boas e as coisas que colorem a minha vida, igual as flores colorem os jardins. Acho que tinha tanto a ver comigo que até as pessoas que viram perceberam. Muitas vezes ouvi a frase “achei sua cara” e foi aí que eu percebi que tinha feito a escolha certa!

Engraçado como a gente muda, né?

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