Conhecendo a Coreia do Norte através da vivência de Yeonmi Park

Terminei de ler esse livro às 01:00 da manhã de uma sexta-feira e tudo o que eu mais queria era abrir o notebook e escrever tudo o que eu estava sentindo após conhecer a história de Yeonmi Park, uma norte-coreana que passou por MUUUUITAS coisas. Na verdade acho que esse é um resumo muito fué para falar sobre esse livro, mas sem dar spoiler, vou tentar aprofundar um pouquinho mais.

Eu nunca tive interesse em muitas coisas da cultura asiática como um todo. Sempre gosto de ler as indicações de livros de pessoas próximas, pois isso me passa muito mais confiança, mas mesmo depois de duas amigas me indicarem esse livro, fiquei meses com ele parado na estante, até que decidi retomar o hábito de leitura começando por ele. Já tinha um pré-conceito de que não ia gostar, só que claramente me surpreendi.

Não quero tanto falar das coisas que acontecem com ela, acho que quem ler tem que realmente conhecer e acompanhar cada passo, cada experiência. Doeu em mim, mesmo eu sabendo que nunca vou compreender realmente tudo o que ela passou. Acho que se eu simplesmente fizesse uma lista de tudo o que acontece no livro, eu estaria diminuindo de forma medíocre toda sua história.

Quando você tem tão pouco, a menor coisa pode fazê-lo feliz.

A Coreia do Norte

Eu já tinha ouvido uma coisa ou outra sobre a história das Coreias, mas não imaginava a dura realidade de quem vive na Coreia do Norte. Você já pensou em viver em um país em que absolutamente tudo ao seu redor cultua uma pessoa como um Deus, como imortal? Viver com medo de pensar, simplesmente por achar que até seu pensamento poderia fazer você ser preso? E não é tão simples quanto dizer que as pessoas poderiam mudar seu pensamento. Elas não acreditavam que existia outra vida, outra opção, outro governo. Lendo o livro e não sendo uma norte-coreana, muitas vezes me questionei se não estava lendo uma ficção e tinha sempre que relembrar que era uma autobiografia. Muitas vezes pensei que talvez fosse um exagero. Me vi duvidando da vítima. Custei a acreditar que era real.

Lembre-se Yeonmi-ya, mesmo quando você pensar que está sozinha, os pássaros e os ratos podem te ouvir sussurrar

É muito louco como o sistema todo é construído para alienar as pessoas desde quando nascem. Tudo ao redor da educação da Coreia do Norte diz respeito ao culto do ditador norte-coreano e seus feitos. Fiquei pensando nos meus livros didáticos que usavam maçãs, peras e bolinhas de gude para apresentar problemas de matemática, não a morte de pessoas que são consideradas inimigas do país. Pensei que era surreal, mas me lembrei que durante a segunda guerra mundial, que é um dos pontos da história que eu mais discuti e estudei ao longo da vida, as propagandas nazistas eram exatamente assim. Reforçavam estereótipos, inventava boatos, intensificavam ideias, assim como era na Coreia do Norte.

Na Coreia do Norte, não basta ao governo controlar aonde você vai, o que está estudando, onde trabalha e o que diz. Eles precisam controlar você em suas emoções, fazendo de você um escravo do Estado ao destruir sua individualidade e sua capacidade de reagir a situações com base em sua própria experiência do mundo.

A revolução dos bichos

Não sei se vocês já leram, mas se não, fica aí mais uma dica de leitura: A revolução dos bichos, de George Orwell. De uma forma geral, o modelo político da Coreia do Norte é bem descrito nesse livro, apesar de não ser uma analogia desse país. Eu o li em meados de 2017 quando estava no comecinho da faculdade, mas não fazia ideia da existência de Yeonmi Park.

Quando li “Para poder viver” a única coisa que pensava era na semelhança, assim como em 1984 também em alguns momentos. No finalzinho do livro, Yeonmi nos diz que também o leu e reconheceu seu país de origem nas páginas do livro.

Foi a descoberta de A revolução dos bichos, de George Orwell, que marcou em mim um ponto de inflexão. Foi como achar um diamante num monte de areia. Senti como se Orwell soubesse de onde eu era e pelo que tinha passado.

Yeonmi Park

Gente, por onde começar? Se eu tivesse a chance de ver essa mulher na minha frente eu começaria a chorar, com certeza. Ontem quando acabei de ler, fiquei pensando o que eu diria a ela. Primeiro que perguntaria de onde ela tirou tanta força para passar por tudo o que passou. Segundo que eu senti muito que ela tivesse que passar por tudo isso para aprender as coisas que aprendeu, visitar os lugares que visitou e levar a palavra de sua vivência que foi a de muitos outros norte-coreanos que não tiveram suas histórias contadas ou que não viveram o suficiente pra poder contá-las.

Fiquei pasma ao ver quão rápido uma mentira pode perder sua força diante da verdade. Em minutos, algo que eu acreditara durante muitos anos simplesmente desapareceu.

E aí, o que vocês acharam?

Diretamente da infância: Broa de milho

Broa de milho é uma comida que me transporta para uma época super especial da minha infância. Eu costumava passar as férias em Regente Feijó, cidadezinha onde meus avós moram. Quando chegava a época de ir para lá, ele já sabia: não deixava faltar a broa de milho.

Depois que uma amiga postou as broas que a avó dela fez um dia desses, fiquei tentada a fazer por aqui também, afinal, não encontrei nenhuma broa no mercado que tinha o mesmo gostinho das que conheci em Regente Feijó. Claro que eu não poderia deixar de trazer para o blog essa receita que deu suuuper certo por aqui. Acompanha aí, mas fica até o final para pegar todas as dicas, beleza? 🙂

Ingredientes

  • 250 gramas de farinha de trigo
  • 250 gramas de fubá mimoso
  • 250 gramas de açúcar
  • 100 gramas de manteiga
  • 1 colher de sopa de fermento
  • 2 ovos inteiros e 1 gema
  • Leite (aqui é no olho, tá?)

Como fazer

Comece misturando bem todos os ingredientes secos (farinha, açúcar, fubá e fermento).

Acrescente o ovo, a manteiga e um pouquinho de leite. Agora você começa a misturar tudo com as mãos. Eu acredito que de leite usei menos de 3/4 de xícara ou, no máximo esses 3/4 de xícara.

O ponto da massa é quando ela não gruda mais nas mãos. Demora um tempinho até que isso aconteça, pois como colocamos a manteiga sem derreter, ela vai derretendo aos poucos com o calor das mãos. Conforme ela vai derretendo, a tendência é que a massa fique mais grudenta, então se precisar, adicione mais farinha até dar o ponto em que ela não gruda mais.

Depois que a massa estiver no ponto, pode ligar o forno a 180ºC e uma caneca de esquentar leite com água para ferver. O tempo de modelagem das broas casa com o pré-aquecimento do forno.

Coloque a massa em cima de uma bancada ou na pia seca e sove mais um pouquinho. Faça uma espécie de cobra com a massa.

Para ajudar a separar as broas, você pode fazer cortes na massa. Pese os pedaços de mais ou menos 100 gramas. Eu geralmente faço entre 8 e 9 cortes para me guiar, mas essa etapa é opcional, pois podem ter pedaços que vão ficar com menos ou mais de 100 gramas. Essa receita rendeu 10 broas de 100 gramas e uma mini broa de mais ou menos 60 gramas.

Conforme você vai pesando, vá acertando a quantidade de massa e modelando. Eu faço uma bolinha, igual brigadeiro e depois dou uma achatadinha com a palma da mão.

O ideal é que as broas sejam do mesmo tamanho para não correr o risco de algumas assarem mais ou menos do que outras, então mesmo que você queira fazer mais broas, porém de tamanhos menores, tente manter a proporção (todas de 50 gramas, por exemplo).

Agora é só ir acomodando as broas em uma forma grande untada com manteiga. Pode ser só o fundo. Atente-se apenas para acomodar as broas de forma que elas não se toquem. No forno elas tendem a achatar um pouquinho mais.

Pincele uma gema de ovo para que fique com aquele douradinho em cima.

Lembra da água que estava fervendo? Você vai colocar ela dentro de uma forma e colocar na grade debaixo de onde suas broas vão assar.

Agora é só deixar e ir monitorando. Cada forno é diferente, então tem que ir olhando e quando estiverem douradinhas, pode desligar. Aqui demorou 45 minutos com a forma de água embaixo. Eu desliguei o forno e deixei as broas no forno por mais 10 minutinhos.

Dicas

Agora vamos para as partes dessa receita que são super importantes 🙂

1 – Eu fiz pela primeira vez sem a forma de água e posso afirmar: NÃO ESQUECE DESSA ETAPA, OK? Quando fiz sem a forma, mesmo a 180ºC estava com a parte debaixo da broa queimada em 30 minutos. Nem deu tempo do timer tocar. Por isso é importante ficar monitorando. Dessa vez com a forma de água ficou douradinho, apenas, não queimou o fundo e demorou 45 minutos para ficar desse jeito.

Com forma de água X Sem forma de água

2 – Fique de olho na marca da sua farinha! Não manjo muito de todas as farinhas, mas sei que há algumas diferenças entre elas. Por exemplo, a Dona Benta para pão não absorve tanta água, então o pão fica mais seco e duro, não necessariamente crocante e a massa tende a ficar mais pesada. Já a farinha Rosa Branca que eu sempre uso para pão, absorve muita água e a tendência é que sua receita fique mais hidratada. Acredito que a marca da farinha influencie se sua massa vai chegar no ponto certo sem precisar acrescentar mais farinha. Eu não sei se é bem essa a regra, mas pelo menos aqui eu chuto que usei de 30 a 40 gramas a mais de farinha (Rosa Branca) para fazer minha broa. Talvez com outra marca você não precise acrescentar tanto.

3- Viciei em fazer todas as receitas com uma balança de cozinha. Sério, fazendo dessa forma eu nunca mais errei uma receita. Recomendo super o investimento. Acho que no geral essas mais simples são bem baratinhas.

Me conta depois se vocês gostarem dessa receita 😀

Ele não me deixa desistir

Falar sobre ele é lembrar de uma semana em que eu queria gravar um vídeo, mas todos os dias acordava cedo e pensava “hoje não”. Até que na sexta-feira dessa mesma semana ele me mandou uma mensagem Às 07:00 dizendo “acorda, nega, você tem vídeo pra gravar hoje”.

A gente sempre fala que o amor está nos detalhes e eu realmente não tinha ideia do que era isso na prática até o conhecer. Todos falavam sobre o “leva o casaco”, mas ele é todos esses clichês em uma pessoa só. Ai depois dessa mensagem eu tive certeza de que isso existe.

Ele não me deixa desistir dos meus projetos, mesmo que isso não cause nenhum impacto para ele, mesmo que ele não esteja diretamente envolvido. Ele sabe que eu gosto e me incentiva. Isso faz toda a diferença.

A vida não é só sobre não reclamar da vida

Você já se sentiu culpado por se sentir triste ou decepcionado em algum momento? Ou se sentiu mal por estar “reclamando” de uma situação complicada ou de alguma questão da sua rotina/vida?

Pois é… se sim, bem-vinde à minha cabeça. Na verdade eu comecei a pensar sobre isso quando as minhas aulas voltaram. Quem me conhece sabe que a faculdade se tornou uma questão complicada para mim. Não é que eu não goste da minha profissão (Relações Públicas), não, eu adoro trabalhar com comunicação! O problema é que cheguei em um ponto da teoria que não sinto mais que está valendo a pena, sabe? É um gasto de energia, de saúde mental, de tempo e de dinheiro também…

Na verdade queria que esse texto pudesse ser mais abrangente para que possamos pensar sobre isso em diversos âmbitos da nossa vida, afinal, por aqui foi a faculdade, mas poderia ser qualquer situação. Claro que, usando essa minha vivência, espero que você entenda o que quero dizer…

Sabe quando a gente reconhece alguns dos nossos privilégios? Dói, não dói? Saber que nem todos tiveram as mesmas oportunidades que muitas vezes nós tivemos e que nem sempre podemos fazer algo a respeito. Mas às vezes isso dói mais ainda quando nos faz se sentir culpado por isso.

Dói quando nos dizem que temos que ser totalmente agradecidos por algo que não nos faz completamente feliz, simplesmente por termos tido a oportunidade de vivenciar aquilo.

E nesse processo de viver, é inevitável não pensar nas outras pessoas que tem tempos diferentes, vivências diferentes, histórias diferentes, oportunidades diferentes ou a falta delas. O mundo inteiro tinha que ser diferente do que é, mas como a gente muda o mundo inteiro?

Temos bons exemplos, boas práticas e muita gente disposta a ajudar e a fazer algo em prol do outro a partir de suas oportunidades. Acho que é isso que faz total diferença e resgata a nossa fé. Que a gente possa ajudar sempre que possível, mas que não nos culpemos por todos os problemas do mundo. Todos temos nossas questões.

“Don’t carry the world upon your shoulders”.

Um quê poético no ano de 2010

Não sei porque, não procure entender, mas tem um quê poético no ano de 2010.

2020 me parece tão moderno, cheio de prédios, cheio de cidade. Mas 2010 me dá a sensação de grama cortada, de terra molhada e pôr do sol nas montanhas da fazenda, mesmo que já existisse tudo isso em 2010.

Não me pergunte, não faço ideia do que eu fazia em 2010 (aliás, tinha apenas 10 anos), mas olho para trás na vida em geral, não na minha, hoje e enxergo um quê poético. Eu leio histórias, experiências e contos escritos em 2010 e sinto uma nostalgia maior que eu, a nostalgia de uma vida que não vivi, que simplesmente me remete a uma fase que passou e que ficou gostoso de recordar. Não minha, nem que conheço, muito menos que vi de perto, mas uma nostalgia que existe e eu a vejo, eu a sinto.

Talvez em 2030 eu sinta a mesma sensação olhando para esse texto. Talvez… quem sabe… mas hoje não. Hoje não quero pensar no futuro, hoje quero pensar no que passou e imagino o que aconteceu. Lá em 2010.